terça-feira, 29 de outubro de 2013

Knowing what works*

Hoje o post vem com uma cara diferente... menos fotos e mais palavras. A ideia surgiu durante o segundo ato do FotoProtestoSP. Para quem não conhece, o FotoProtestoSP se auto define como um manifesto de fotografia (https://www.facebook.com/fotoprotestosp?fref=ts). Seu primeiro ato foi a colagem de fotos realizadas por diversos fotógrafos durante as manifestações de junho em São Paulo, na parede do cemitério do Araçá. Claro que não tive nenhuma foto estampada no cemitério. Meu trabalho foi somente logístico: ajudar na filmagem do protesto.

O segundo ato do FotoProtestoSP ocorreu (ou pelo menos tentou) há algumas semanas (na madrugada de 13 para 14 de outubro). Infelizmente a Guarda Municipal embargou a ação logo após a colagem da terceira foto. Muita gente reunida, muitas discussões sobre cola e não cola... e em determinado momento, quando estávamos indo embora, uma foto me chamou a atenção. Uma foto muito parecida com uma que eu mesmo havia feito no fatídico dia 13 de junho, quando a polícia militar de São Paulo agiu de forma extremamente truculenta e desproporcional, atacando inclusive jornalistas, o que contribuiu para mudar a forma como a sociedade estava vendo os protestos até então.

E ao ver esta foto, tão parecida com a minha (idêntica?), veio a minha mente duas fotos também praticamente idênticas que haviam sido feitas durante a guerra do Vietnã. Tomei contato com estas duas fotos justamente ao ler num livro (The Photographer's Vision, Michael Freeman) sobre como algumas imagens nascem naturalmente. De como algumas cenas tendem a provocar uma resposta similar de fotógrafos, o que seria fruto do treinamento profissional. Fotógrafos aprenderiam a lidar com certos assuntos de uma certa maneira. Isto seria especialmente verdade em momentos onde fotografar requer uma resposta rápida a uma cena que se desdobra a sua frente.

No livro, o exemplo é de uma mesma cena fotografada por dois profissionais que criaram reputação fotografando a guerra do Vietnã: Philip Jones Griffiths e Tim Page. Apesar de terem um corpo de trabalho completamente diferente no que tange suas visões sobre a guerra,  diante de uma determinada cena fizeram a mesma foto.

foto feita por Griffiths

foto feita por Page


E a minha foto nisto tudo?

No dia 13 de junho, quando andava numa Av. Paulista praticamente vazia, mais por conta da ação policial do que pela manifestação em si, a cena das pessoas trancadas dentro do Conjunto Nacional me chamou a atenção. O clique veio imediatamente. Pessoas buscando refúgios atrás das grades.

originalmente minha legenda foi: as grades do condomínio são pra trazer proteção...


E aqui a foto do protesto feita por Renato Stockler




Imagino quantas outras fotos iguais a esta não foram feitas!!!

post original da minha foto:
http://fotoemperspectiva.blogspot.com.br/2013/06/nao-e-por-centavos.html

* - sem ideias interessantes para o título do post, copiei do Freeman o título que ele deu para este trecho do livro




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