terça-feira, 12 de novembro de 2013

...e no meio do deserto havia um lago. Salgado.

Localizado na Eastern Sierra, o lago Mono é um oásis no meio da aridez que toma conta da Grande Bacia. Quando estive na Califórnia, suas formações rochosas me chamaram a atenção no guia de viagem, e como o lago fica localizado próximo ao Yosemite, dei uma esticada até lá para conferir.

Formado há pelo menos 760 mil anos, o lago ocupa uma bacia que não possui escoamento para o oceano. Justamente pela ausência deste escoamento, acumulou grandes quantidades de sal, o que torna suas águas alcalinas (pH=10). Análises sedimentares indicam que o lago poderia ser um remanescente de um lago muito maior que teria ocupado grandes áreas dos estados de Nevada e Utah, o que o colocaria entre os lagos mais antigos da América do Norte.

O lago sofreu uma série de alterações a partir de 1941, quando a cidade de Los Angeles começou a desviar água que iria abastecer o lago para abastecer seus aquedutos. Tanta água foi desviada que rapidamente o nível de evaporação ultrapassou o de influxo e em 82 o lago atingiu seu nível mais baixo, perdendo 31% da área ocupada anteriormente ao início dos desvios.

A salinidade do lago varia de acordo com a quantidade de água presente. Antes de 1941, a salinidade média era de aproximadamente 50 g/L (os oceanos tem em média 31,5g/L). Em 1982, quando o lago atingiu seu menor nível a concentração dobrou (99 g/L). Em 2002 a concentração havia baixado para 78 g/L e espera-se que se estabilize em 69 g/L com o aumento do volume de água.

Outra consequência deste desvio foi a transformação do lago de monomítico em meromítico. Nos lagos monomíticos há uma troca, uma circulação entre as águas mais profundas e as mais rasas. Esta circulação faz com que nutrientes e oxigênio cheguem as regiões mais profundas. Agora que o lago é meromítico não há esta circulação, e como consequência, suas águas profundas acumulam muito sal e carecem de oxigênio.

A redução do volume de água expôs também as formações rochosas que chamaram minha atenção em primeiro lugar. Tais formações são conhecidas como tufas (na verdade o termo em inglês é tufa e apesar de ter encontrado alguns sites em português usando o mesmo termo, não sei se está correto) e formam-se pela precipitação de minerais de carbonatos.

















Após a publicação de trabalhos científicos que mostravam as consequências negativas para o lago deste desvio de águas pela cidade de Los Angeles, o desvio foi cessado e iniciaram-se medidas para a reversão deste quadro. Mais informações nos sites:

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Knowing what works*

Hoje o post vem com uma cara diferente... menos fotos e mais palavras. A ideia surgiu durante o segundo ato do FotoProtestoSP. Para quem não conhece, o FotoProtestoSP se auto define como um manifesto de fotografia (https://www.facebook.com/fotoprotestosp?fref=ts). Seu primeiro ato foi a colagem de fotos realizadas por diversos fotógrafos durante as manifestações de junho em São Paulo, na parede do cemitério do Araçá. Claro que não tive nenhuma foto estampada no cemitério. Meu trabalho foi somente logístico: ajudar na filmagem do protesto.

O segundo ato do FotoProtestoSP ocorreu (ou pelo menos tentou) há algumas semanas (na madrugada de 13 para 14 de outubro). Infelizmente a Guarda Municipal embargou a ação logo após a colagem da terceira foto. Muita gente reunida, muitas discussões sobre cola e não cola... e em determinado momento, quando estávamos indo embora, uma foto me chamou a atenção. Uma foto muito parecida com uma que eu mesmo havia feito no fatídico dia 13 de junho, quando a polícia militar de São Paulo agiu de forma extremamente truculenta e desproporcional, atacando inclusive jornalistas, o que contribuiu para mudar a forma como a sociedade estava vendo os protestos até então.

E ao ver esta foto, tão parecida com a minha (idêntica?), veio a minha mente duas fotos também praticamente idênticas que haviam sido feitas durante a guerra do Vietnã. Tomei contato com estas duas fotos justamente ao ler num livro (The Photographer's Vision, Michael Freeman) sobre como algumas imagens nascem naturalmente. De como algumas cenas tendem a provocar uma resposta similar de fotógrafos, o que seria fruto do treinamento profissional. Fotógrafos aprenderiam a lidar com certos assuntos de uma certa maneira. Isto seria especialmente verdade em momentos onde fotografar requer uma resposta rápida a uma cena que se desdobra a sua frente.

No livro, o exemplo é de uma mesma cena fotografada por dois profissionais que criaram reputação fotografando a guerra do Vietnã: Philip Jones Griffiths e Tim Page. Apesar de terem um corpo de trabalho completamente diferente no que tange suas visões sobre a guerra,  diante de uma determinada cena fizeram a mesma foto.

foto feita por Griffiths

foto feita por Page


E a minha foto nisto tudo?

No dia 13 de junho, quando andava numa Av. Paulista praticamente vazia, mais por conta da ação policial do que pela manifestação em si, a cena das pessoas trancadas dentro do Conjunto Nacional me chamou a atenção. O clique veio imediatamente. Pessoas buscando refúgios atrás das grades.

originalmente minha legenda foi: as grades do condomínio são pra trazer proteção...


E aqui a foto do protesto feita por Renato Stockler




Imagino quantas outras fotos iguais a esta não foram feitas!!!

post original da minha foto:
http://fotoemperspectiva.blogspot.com.br/2013/06/nao-e-por-centavos.html

* - sem ideias interessantes para o título do post, copiei do Freeman o título que ele deu para este trecho do livro




terça-feira, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Califórnia em branco e preto!!

Este post segue os referentes aos Parques Nacionais dos EUA, da série "O que sobrou do céu":
http://fotoemperspectiva.blogspot.com.br/2013/09/o-que-sobrou-do-ceu.html
http://fotoemperspectiva.blogspot.com.br/2013/09/o-que-sobrou-do-ceu-ii.html
(dá uma olhada lá!!)

Recebi recentemente o livro impresso. Gostei. Não ficou como queria por conta da calibragem do meu monitor... não tive tempo de fazê-lo antes que meu voucher expirasse. As sombras impressas ficaram mais escuras do que no monitor e muitas áreas ficaram sem detalhes. Fazer o que? Realmente não tive tempo...

Não tendo como mostrar pessoalmente para todos, posto aqui as páginas do livro. Para as imagens horizontais, joguei uma foto por página, para que ficassem grandes. Por isto há duas imagens lado a lado abaixo. Então sem mais delongas, as fotos que foram selecionadas para compor esta pequena obra!!

Ah, assim como nos posts anteriores, dividi as imagens entre os dois parques: Yosemite e Joshua Tree.


capa e contracapa







E uma foto do livro impresso!!




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Meu primeiro casamento!!

Ando meio afastado do blog por questões de (falta de) tempo e por este mesmo motivo, nas próximas semanas, para não ficar sem postar, usarei fotos que já estão tratadas mas que ainda não foram publicadas. 

E para começar esta nova série de fotos "velhas", algumas fotos que fiz no meu primeiro casamento. Trabalhando como segundo fotógrado do Humberto Yoji (http://www.flickr.com/photos/humbertotete), popularmente conhecido como Teté, fizemos esta cerimônia no final de junho deste ano em Itaquera. Pensa num lugar longe... 

Apesar da noiva ter passado o endereço errado, Teté foi muito persistente e conseguiu nos levar a tempo para a casa de festas onde ocorreu a cerimônia e a recepção. Tudo muito simples, casal extremamente feliz, meu único pesar foi a festa, que na verdade não foi festa. As pessoas ficaram o tempo todo sentadas, comendo e bebendo e ninguém foi pra pista dançar, o que eu esperava que rendesse boas fotos. 

Mas a experiência foi ótima para meu aprendizado. Errei muito, mas muito mesmo. Acho que a grande maioria das fotos que fiz ficou ruim, mas aprendi com meus erros e meu segundo trabalho já foi muito 
melhor!!






















segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O que sobrou do céu II

Dando continuidade ao post da semana passada com fotografias que não entraram na seleção final...

O segundo parque nacional que visitei na Califórnia foi o Joshua Tree. Menos famoso que o anterior (Yosemite), este parque é assim chamado por conta de uma árvore, Joshua Tree (Yucca brevifolia - árvore de Josué, em português), muito abundante em algumas áreas do parque.

Desértico, é composto por dois ecossistemas cujas características são devidas principalmente pelas suas altitudes: o mais alto, o deserto de Mojave; e o mais baixo, o do Colorado. No primeiro é que encontramos as Joshuas!!

O que achei interessante é que por mais que o Yosemite fosse um parque com paisagens mais cênicas, bonitas, na hora de selecionar as fotos para este projeto, Joshua me rendeu mais imagens. Talvez porque deserto combine melhor com fotografias monocromáticas.

Joshua Tree também é o nome do quinto álbum do U2, lançado em 87, que inclui os hits: "With or without you", "I still haven't found what I'm looking for" e "Where the streets have no name".

Será que é daí que vc conhece este nome?







Joshuas Trees!!